domingo, 8 de setembro de 2013

CIDADES HISTÓRICAS: PETRA



Apesar de grande parte do que vamos hoje em Petra ter sido construído pelos Nabateus, sabemos que a zona foi habitada de 7000 a 6500 a.C. Ainda hoje podemos encontrar vestígios de uma povoação desse período em Little Petra, a norte de Petra.

Durante a Idade do Ferro (1200 a 539 a.C.), Petra foi habitada pelos Edomitas. Fixaram-se principalmente nas colinas à volta de Petra e não no local escolhido pelos Nabateus. Apesar de os Edomitas não dominarem a arte da alvenaria, eram excelentes a fabricar cerâmica e, ao que tudo indica, transmitiram esta arte aos Nabateus.

Os Nabateus foram um povo árabe nómada da Arábia que começaram a chegar e a fixar-se em Petra em finais do século VI a.C. Julga-se que a sua chegada a Petra não foi planeada, porque a sua intenção original era migrar para o Sul da Palestina. Não há dúvida de que acharam este sítio atractivo devido às muitas fontes de água, paredes de desfiladeiros usados na defesa e os acolhedores Edomitas com quem tiveram, ao que parece, uma existência pacífica.

No século II a.C., Petra era uma cidade enorme com uma área de 10 km e era a capital do Reino dos Nabateus.

Em primeiro lugar, os Nabateus eram agricultores. Cultivavam a vinha, o olival e criavam camelos, ovelhas, cabras e cavalos. Eram peritos na gestão da água e construíram uma complexa rede de canais e de cisternas para transportar a água de uma abundante fonte em Ain Musa, a vários quilómetros de distância, para o centro da cidade. Mas a sua principal fonte de riqueza era o facto de Petra ser um eixo importante para as rotas comerciais lucrativas que ligavam a China, a oriente, a Roma, no ocidente. As caravanas carregadas de incenso, seda e especiarias e outros artigos exóticos paravam em Petra que tinha um abundante abastecimento de água e oferecia protecção contra os saqueadores. Em troca da sua hospitalidade, os Nabateus cobravam um imposto sobre todas as mercadorias que passavam na cidade e ficaram ricos com as receitas.

Os Nabateus eram um povo letrado que falava um dialecto do aramaico, a língua dos tempos bíblicos e podemos ver exemplos da sua bela caligrafia gravados na face rochosa de Petra.

Para além dos seus feitos arquitectónicos surpreendentes, os Nabateus eram famosos pela sua arte de fabricar cerâmica, arte esta que lhes foi transmitida pelos Edomitas, segundo se crê. As escavações recentes de um forno descoberto em Wadi Musa indicam que Petra era um centro regional de produção de cerâmica até finais do século III d.C., entrando em declínio depois desta data.

Em 64 a.C., os Romanos chegaram e estabeleceram uma província romana na Síria. Constituíram a Liga de Decápolis, com dez cidades-estado, que evitou os movimentos de expansão dos Nabateus. Em 106 d.C., anexaram o Reino dos Nabateus, integrando-o na Província Romana da Arábia. Petra prosperou sob domínio romano e foram feitas várias alterações ao estilo romano na cidade, incluindo a ampliação do teatro, a pavimentação da Rua de Colunatas e um arco de triunfo que foi construído acima do Siq. Quando o Imperador Romano Adriano visitou o local em 131 d.C., deu-lhe o seu nome, Adriano Petra.

Os Romanos assumiram o controlo das rotas comerciais lucrativas e desviaram-nas de Petra. Foi o início do fim para os Nabateus, cuja riqueza e poder entraram, gradualmente, em declínio.

Os vestígios dos Nabateus em Petra diminuíram e quando o Cristianismo se espalhou pelo Império Bizantino, Petra foi sede episcopal e o monumento do túmulo de Urn foi convertido em igreja. As escavações recentes revelaram três igrejas, uma delas com mosaicos coloridos no chão e outras foram construídas.

Em 661 d.C., a Dinastia Muçulmana Omíada estabeleceu a sua capital em Damasco, na Síria, e Petra ficou isolada da sede do poder. Este facto, juntamente com uma série de fortes terramotos, ditou o fim desta outrora poderosa cidade.

No século XII d.C., os Cruzados construíram um posto avançado em Petra, para o seu grande castelo em Shobak, a 30 km de distância.

Apesar de haver indícios de que o local era, uma vez mais, local de paragem para as caravanas nos séculos XIII e XV, acabou por ser abandonado e transformou-se num local habitado - e fortemente guardado - pelos beduínos locais. Esta cidade, outrora magnífica, foi esquecida pelo mundo ocidental até que o viajante suíço Johann Ludwig Burckhardt, disfarçado de árabe, a descobriu no dia 22 de Agosto de 1812.

Fonte: pt.visitjordan.com/

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