quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

GRANDES PERSONALIDADES DA HISTÓRIA: JULIO CÉSAR


JULIUS CAESAR

Caio Júlio César[1] (em latim: Caius ou Gaius Iulius Caesar ou IMP•C•IVLIVS•CAESAR•DIVVS[1] (pronuncia-se Julius o seu sobrenome); 13 de Julho, 100 a.C. [2]15 de março de 44 a.C.[3]), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano.

As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado romano, cujo líder era Pompeu. Depois da derrota dos optimates, tornou-se ditador (no conceito romano do termo) vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma.

O seu assassinato nos idos de Março de 44 a.C. por um grupo de senadores travou o seu trabalho e abriu caminho a uma instabilidade política que viria a culminar no fim da República e início do Império Romano. Os feitos militares de César são conhecidos através do seu próprio punho e de relatos de autores como Suetónio e Plutarco.

Nascimento e início de carreira pública

César, nasceu em Roma no seio de uma antiga família de patrícios chamada Iulius (pronuncia-se Julius), traduzindo para o português: Júlio, de acordo com a convenção romana de nomes. A sua ascendência, de acordo com a lenda, chegava a Iulus, filho do príncipe troiano Enéas e neto da deusa Vénus. No auge do seu poder, César iniciou a construção de um templo a Venus Genetrix em Roma, em reconhecimento da sua "divina" antepassada. O seu pai era o homónimo Caio Júlio César e a sua mãe Aurélia, pertencia a também família patrícia: Cottae, traduzindo para o português seria os Cottas. Enquanto jovem, Caio Júlio viveu no Subura, bairro de classe média de Roma.

Os Iuliae (Juliae), embora aristocratas, não eram ricos para os padrões da aristocracia romana da época e por este motivo, nem o seu pai nem o seu avô atingiram cargos proeminentes na república. A sua tia paterna Júlia casou com o talentoso general e reformador Caio Mário, líder da facção populista do senado, os populares, por oposição aos optimates (conservadores). Para o fim da vida de Mário, as disputas internas entre as duas facções haviam chegado ao ponto de ruptura. Em 86 a.C. iniciou-se uma guerra civil interna, cujo resultado a longo prazo foi a ditadura (conceito romano do termo) de Lúcio Cornélio Sula.

César estava ligado ao lado derrotado de Mário por laços familiares: não só era seu sobrinho, como era também casado com Cornélia Cinnila, filha de Lúcio Cornélio Cina, aliado de Mário e inimigo de Sula. A sua situação não era portanto das melhores. Sila ordenou o seu divórcio de Cornélia, mas César recusou abandonar a jovem mulher e fugiu de Roma para evitar as perseguições. O ditador ficou desagradado com o desafio mostrado pelo jovem de vinte anos mas poupou a vida de César, divertido pelo caráter do rapaz, dizendo "Há muitos Mários neste César" (conforme Suetônio). Mas apesar do perdão de Sila, César decidiu não fifcar em Roma, partindo para a Ásia para realizar o seu serviço militar. Durante a campanha ao serviço de Lúcio Licínio Lúculo na Cilícia, César distinguiu-se pela sua bravura em combate e capacidades de liderança.


Depois da morte de Sila em 78 a.C., César regressou a cidade de Roma, iniciou a carreira como advogado no fórum romano e tornou-se conhecido pela sua brilhante oratória. As suas principais vítimas foram os políticos corruptos e culpados de extorsão. Com o perfeccionismo que sempre o caracterizou, César não estava contente consigo e viajou para Rodes para estudar filosofia e retórica com o gramático Apolônio Molo. Mas durante a sua viagem, o seu barco foi abordado por piratas que o raptaram. Quando exigiram um resgate de vinte talentos de ouro, César desafiou-os a pedir cinquenta, uma fortuna mesmo em moeda actual. Trinta e oito dias depois, o resgate chegou e César foi libertado depois de um cativeiro confortável onde fez amizade com alguns dos captores. De regresso à liberdade, organizou uma força naval, capturou o refúgio dos piratas e ordenou a sua crucificação.

Em 69 a.C., Cornélia morreu ao dar à luz um natimorto. Pouco depois César perdeu a tia Júlia, viúva de Mário, de quem era muito próximo. Ao contrário do que era costume, César insistiu em organizar funerais públicos para ambas, com direito a eulogias proferidas da rostra. O funeral de Júlia foi repleto de conotações políticas, visto que César fez incluir a máscara funerária de Caio Mário na procissão, a primeira contestação pública das leis de proscrição de Sila da década anterior. E apesar de ser público o afecto de César pelas duas mulheres (cf. Suetônio), houve quem interpretasse a atitude como propaganda para as eleições que se avizinhavam para o cargo de questor.

Cursus honorum

César foi eleito questor pela Assembleia do Povo em 69 a.C., com trinta anos de idade, como estipulava o cursus honorum romano. No sorteio subsequente, calhou-lhe um cargo na província romana da Hispania Ulterior, situada mais ou menos nos modernos Portugal e sul de Espanha.

No regresso a Roma, César prosseguiu a carreira como advogado até ser eleito edil em 65 a.C., o primeiro cargo do cursus honorum a deter imperium. As funções de um edil podem ser equiparadas às de um moderno presidente da câmara municipal e incluíam a regulação das construções, do trânsito, do comércio e outros aspectos da vida diária. Mas o cargo poderia ser um presente envenenado, pois incluía a organização dos jogos no Circo Máximo, o que, dado o limitado orçamento público, exigia a aplicação dos fundos privados do edil. Isto era especialmente verdade no caso de César, que pretendia realizar jogos memoráveis para impulsionar a carreira política. E de facto aplicou todo o seu engenho para o conseguir, chegando até a desviar o curso do Tibre para uma representação no circo, mas acabou o ano com dívidas na ordem das várias centenas de talentos de ouro (o equivalente a vários milhões de euros atuais).

No entanto, o sucesso como edil foi uma ajuda importante na sua eleição para pontifex maximus em 63 a.C., depois da morte de Quinto Cecílio Metelo Pio. O cargo significava uma nova casa no Fórum, a Domus Publica ("Casa Pública"), a responsabilidade por toda a vida religiosa de Roma e a custódia das virgens vestais. Para a vida pessoal de César, também significava o alívio do fim das dívidas. A sua estreia como pontifex maximus ("pontífice máximo") foi marcada por um escândalo. Depois da morte de Cornélia, César casara com Pompeia, uma das netas de Sulla. Como mulher do pontifex maximus e uma das mais importantes matronas de Roma, Pompeia era responsável pela organização dos ritos da Bona Dea ("Boa Deusa") em Dezembro, exclusivos às mulheres e considerados sagrados. Mas durante as celebrações, Públio Clódio Pulquer conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher. Em resposta a este sacrilégio, do qual não foi provavelmente culpada, Pompeia recebeu uma ordem de divórcio. César admitiu publicamente que não a considerava responsável, mas justificou a sua acção com a célebre máxima: À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.

Em 63 a.C., César foi eleito pretor e Marco Túlio Cicero cônsul sénior na Assembleia das Centúrias. Foi um ano particularmente difícil não só para César, mas também para a República Romana. Durante o seu consulado, Cícero revelou uma conspiração para destronar os magistrados eleitos liderada por Lúcio Sérgio Catilina, um aristocrata patrício frustrado pela sua falta de sucesso político. O resultado foi a execução sem julgamento de cinco proeminentes romanos aliados de Catilina. Isto era um anátema para a sociedade romana, que raramente executava os seus cidadãos e quando o fazia era apenas depois de complicados procedimentos judiciais. César opôs-se a esta medida com toda a sua oratória, mas acabou suplantado pela insistência de Marco Pórcio Catão, o Jovem e os cinco homens acabaram executados no próprio dia. Foi também nesta dramática reunião do senado que o caso amoroso de César com Servília Cipião foi trazido a público. Os opositores políticos de César acusaram-no na altura de fazer parte da conspiração de Catilina, o que nunca foi provado nem prejudicou grandemente a sua carreira. Depois do seu complicado ano como pretor, César foi nomeado governador da Hispânia Ulterior.

O primeiro triunvirato e as guerras na Gália

Em 59 a.C., César foi eleito cônsul sénior da República Romana pela Assembleia das Centúrias. Para seu colega, foi eleito o seu inimigo político, Marco Calpúrnio Bibulo, membro da facção conservadora e amigo de Marco Pórcio Catão. O primeiro acto de Bibulo como cônsul foi retirar-se de toda a vida política com o pretexto de se dedicar à observação dos céus em busca de presságios. Esta decisão, aparentemente de espírito religioso, era destinada a fazer difícil a vida política de César, mas este encontrou aliados onde menos se esperava.

Nesse mesmo ano, Gneu Pompeu Magno (Pompeu, o Grande) encontrava-se em disputa aberta com o senado por causa do direito dos seus veteranos a terras de cultivo. Ao mesmo tempo, o antigo cônsul Marco Licínio Crasso, alegadamente o homem mais rico de Roma, encontrava-se também em dificuldades para obter o tão desejado comando na guerra contra o Império Persa. César precisava do dinheiro de Crasso e da influência e popularidade de Pompeu e assim se formou uma aliança informal. Os historiadores designam esta união como o primeiro triunvirato, ou o governo dos três homens. Para confirmar a aliança, Pompeu casou com Júlia Caesaris, a única filha de César, e apesar da diferença de idades e de ambiente social o casamento provou ser um sucesso.

Depois de um ano difícil como cônsul, César recebeu poderes proconsulares para governar as províncias da Gália e Ilíria por cinco anos. Um governo pacífico não se adequava no entanto à sua personalidade e César iniciou as guerras gálicas (58 a.C.- 49 a.C.), onde conquistou a Gália, partes da Germânia e fez uma incursão às ilhas Britânicas.

Entre os seus legados contavam-se os primos Lúcio Júlio César e Marco António, Tito Labieno e Quinto Túlio Cícero (irmão mais novo de Cícero), todos homens que haveriam de se mostrar personagens importantes nos anos seguintes. César derrotou povos como os helvéticos em 58 a.C., a confederação belga e os nérvios em 57 a.C. e os venécios em 56 a.C.. Finalmente em 52 a.C., César venceu uma confederação de tribos gálicas lideradas por Vercingetórix na batalha de Alésia. As suas crónicas pessoais da campanha ficam registadas nos seus comentários (De Bello Gallico). De acordo com Plutarco, a campanha resultou em 800 cidades capituladas, 300 tribos submetidas, um milhão de gauleses reduzidos à escravatura e outros três milhões mortos nos campos de batalha.

Mas apesar dos seus sucessos e dos benefícios que a conquista da Gália trouxe a Roma, César continuava impopular entre os seus pares, em particular junto dos conservadores que receavam a sua ambição. Em 55 a.C., os seus aliados Pompeu e Crasso foram eleitos cônsules e honraram o acordo estabelecido com César ao prolongarem o proconsulado por mais cinco anos. No ano seguinte, Júlia Caesaris morreu em trabalho de parto, deixando pai e marido cobertos de desgosto. Crasso foi morto em 53 a.C., durante a desastrosa campanha da Pérsia, condenada desde o início por péssima planificação. Sem Crasso e Júlia, Pompeu aproximou-se da facção conservadora. Ainda na Gália, César procurou assegurar a aliança com Pompeu propondo-lhe casamento com uma das sobrinhas, mas este preferiu casar-se de novo com Cornélia Metela, filha de Cipião Metelo, um dos maiores inimigos de César.

Guerra civil

Em 50 a.C., o senado liderado por Catão ordenou o regresso de César e a desmobilização de todas as suas legiões romanas, ao mesmo tempo que o proibia de se candidatar ao segundo cargo de cônsul in absentia. César sabia que, sem o seu imperium de procônsul e o poder das suas legiões seria processado e eliminado da vida política assim que regressasse a Roma. Por este motivo, César recusou obedecer e atravessou o rio Rubicão, no norte da península Itálica, a 10 de Janeiro de 49 a.C., dizendo, segundo a lenda, "alea jacta est" ("a sorte está lançada"). Era o primeiro acto da guerra civil que haveria de pôr fim ao normal funcionamento das instituições políticas da República. Os Optimates, incluindo Cipião Metelo e Catão, o Jovem, após muitos esforços para convencer Pompeu a ajudá-los em sua investida contra César, fugiram para Sul, sem saberem que César era acompanhado apenas pela sua décima legião.

César perseguiu Pompeu até ao porto de Brundisium (atual Brindisi) no Sul da península, na esperança de poder reactar a sua aliança, mas este fugiu para a Grécia com os seus apoiantes. Então, César dirigiu-se para a Hispânia numa marcha forçada de apenas 27 dias, para derrotar os tenentes de Pompeu nessa poderosa província. Só quando considerou a retaguarda segura, e depois de organizar as instituições políticas em Roma, que caíra na anarquia, é que César se dirigiu para a Grécia. A 10 de Julho de 48 a.C., Pompeu foi derrotado na batalha de Dyrrhachium mas por uma escassa margem, conseguindo fugir para lutar outro dia com quase todo o seu exército.

Após esse acontecimento, ocorreu uma violenta batalha, onde César foi derrotado e fugiu para uma região distante. Cada vez mais longe de água e provisões, César se viu encurralado por Pompeu, que por saber que basta aguardar as provisões de César acabarem para os seus soldados desertarem, não atacou. Mas Catão teve uma série de desentendimentos com Pompeu por causa dos altos custos dessa guerra, se viu obrigado a iniciar um ataque contra César. O encontro final deu-se pouco tempo depois, a 9 de Agosto, na batalha de Farsalo. César conquistou uma vitória estrondosa, a partir de uma arriscada manobra que consistia em enfraquecer as legiões dianteiras para dar auxílio à cavalaria contra as cavalarias de Pompeu. Mas mais uma vez os inimigos políticos conseguiriam fugir: Pompeu para o Egipto, Cipião Metelo e Catão para o Norte de África. De regresso a Roma, foi nomeado ditador (um conceito diferente do atual), com Marco António como Magister equestris, e foi eleito cônsul pela segunda vez.

Em 47 a.C., César dirigiu-se ao Egito em busca de Pompeu, apenas para descobrir que o velho aliado e inimigo havia sido assassinado no ano anterior. Ao saber da sua sorte, César ficou destroçado pela perda e por ter perdido a oportunidade de oferecer-lhe o seu perdão. Talvez devido a isto, César decidiu intervir na política egípcia e substituiu o rei Ptolomeu XIII pela sua irmã Cleópatra, que já tinha a dignidade de faraó. Durante a sua estada, César envolveu-se com a rainha do Egipto e da relação nasceu o seu único filho, o futuro Ptolomeu XV do Egipto (Cesarion). Foi ainda durante este período que César sofreu o seu primeiro ataque de epilepsia.

Depois das campanhas do Egito, César rumou ao Médio Oriente, onde derrotou o rei Farnaces do Ponto, no Bósforo, na batalha de Zela. Sua vitória foi tão arrasadora que ele comemorou com a célebre frase Veni, vidi, vici ("Vim, vi, venci"). Depois, foi para o Norte de África para atacar os líderes da facção conservadora aí entrincheirados. Na batalha de Tapso, em 46 a.C., César somou mais uma vitória e viu desaparecerem dois dos seus piores inimigos, Cipião Metelo e Catão, o Jovem. Mas os filhos de Pompeu, Gneu e Sexto Pompeu, bem como o seu antigo comandante de cavalaria Tito Labieno, conseguiram fugir para a Hispânia. César não hesitou em persegui-los e em Março de 45 a.C. derrotou o último foco de oposição na batalha de Munda.

Com todo o mundo romano sob o seu controlo, César regressou a Roma onde foi cognominado Pater Patriae, pai da pátria. Então começou uma série de reformas administrativas que incluiaram a mudança para o calendário juliano. O mês Quintilis foi rebaptizado como Julius em sua honra e continua, nos dias de hoje, a ser conhecido como Julho. Em Fevereiro, Marco António ofereceu um diadema, símbolo de um rei, a César, que o rejeitou com veemência. No entanto, o episódio valeu-lhe a desconfiança dos seus pares que começaram a recear a sua ambição.

Pouco depois, César foi assassinado numa reunião do senado, nos Idos de Março (15 de Março) de 44 a.C., por um grupo de senadores que acreditavam agir em defesa da República. Entre eles contavam-se os seus antigos protegidos Marco Júnio Bruto e Caio Longino Cássio. César caiu aos pés de uma estátua de Pompeu e as suas últimas palavras são descritas em várias versões:

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Kai su, teknon?

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(em grego, "tu também, meu filho?")
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Tu quoque, Brute, filii mei!

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(em latim, "Tu também, Bruto, meu filho!")
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Et tu, Brute?

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(em latim, "Até tu, Bruto?", versão imortalizada na peça de Shakespeare)

Segundo Suetónio, em "A Vida dos Doze Césares", César, ao ser golpeado, não pronunciou frase alguma.

A lenda reporta um aviso feito por Calpurnia Pisonis, a mulher de César, depois de ter sonhado com um presságio terrível, mas César ignorou-a dizendo Só se deve temer o próprio medo.

Depois da morte de César, rebentou uma luta pelo poder entre o seu sobrinho-neto Caio Otávio (posteriormente conhecido como Augusto), adoptado no testamento, e Marco António, que haveria de resultar na queda da República e na fundação do Império romano.

César como general

Como comandante militar, os historiadores colocam César ao mesmo nível de brilhantismo de Alexandre, o Grande (a quem é comparado por Plutarco) ou Napoleão. César foi bem sucedido em todas as suas campanhas, fosse qual fosse o terreno ou altura do ano. A sua versatilidade permitiu-lhe vitórias em batalhas, cercos e guerras de guerrilha, baseadas numa disciplina rigorosa e no amor que os soldados lhe tinham, bem como no uso inovador que dava à cavalaria romana.

Descendências e casamentos

Cronologia

DIVINDADES: ATÉGINA, MITOLOGIA LUSITANA

Atégina ou Ataegina era a deusa do renascimento (Primavera), fertilidade, natureza e cura na mitologia lusitana. Viam-na como a deusa lusitana da Lua. O nome Ataegina é originário do celta Ate + Gena, que significaria "renascimento".

O animal consagrado a Atégina era o bode ou a cabra. Ela tinha um culto de devotio, em que alguém invocava a deusa para curar alguém, ou até mesmo para lançar uma maldição que poderia ir de pequenas pragas à morte.

Atégina era venerada na Lusitânia e na Bética, existem santuários dedicados a esta deusa em Elvas (Portugal), e Mérida e Cáceres na Extremadura española, além de outros locais, especialmente perto do Rio Guadiana. Ela era também uma das principais deusas veneradas em locais como Myrtilis (Mértola dos dias de hoje), Pax Julia (Beja), ambas cidades em Portugal, e especialmente venerada na cidade de Turobriga, cuja localização é desconhecida. A região era conhecida como a Baeturia celta.

Existem diversas inscrições que relacionam esta deusa com Proserpina: ATAEGINA TURIBRIGENSIS PROSERPINA, esta relação aconteceu durante o período romano. Muitas vezes é representada com um ramo de cipreste.

A banda portuguesa de black metal Moonspell possui um tema dedicado a Ataegina, o qual tem como título o nome da própria divindade. Foi editado no álbum Wolfheart, datado de 1995, sendo a sua nona e última faixa. A letra da música sugere que Ataegina seria uma divindade dotada com o poder de exercer vingança a quem a si recorra e/ou rogue, podendo inclusive provocar a morte do(s) visado(s) do acto de vingança pretendido. As alusões à noite (deusa lusitana da Lua) e ao renascimento da Natureza são explícitas, o que vão ao encontro do significado etimológico do seu nome ("Gena" = "Renascimento"). Há igualmente alusões a combates e a vitórias, o que pode indiciar uma acção de protecção de guerreiros em campo de batalha para os conduzir ao sucesso em tempo de guerra.

HISTÓRIAS DA ANTIGUIDADE: OS ASSÍRIOS

CIVILIZAÇÃO ASSÍRIA

Durante a Antiguidade, podemos observar que a Mesopotâmia foi alvo de vários processos de dominação que tem sua origem ligada às disputas entre as diversas civilizações ali presentes. Na esteira desta trajetória, devemos destacar o período em que os assírios controlaram a região dos rios Tigre e Eufrates por meio da formação de uma impiedosa máquina de guerra.

Fixando-se inicialmente na altura norte da Mesopotâmia, esse povo empreendeu a construção de um Estado fortemente militarizado que contava com carros de guerra, cavalos, aríetes, catapultas e armas forjadas em ferro mais potentes do que das civilizações vizinhas. Além do poderoso arsenal, vários estudos indicam que foram responsáveis pelo desenvolvimento de um exército hierarquizado, onde havia a distribuição de funções mais específicas.

Com o uso desses temíveis instrumentos militares, tiveram a capacidade de formar um amplo império que recobria as regiões da Mesopotâmia, Armênia, Síria, Palestina e Egito. Interessante assinalar que essa cultura militarista era cercada por uma série de gestos e rituais que nos faz ver os assírios como um povo extremamente violento. Saques, torturas, mutilações, castrações eram meios comuns de impor a dominação às populações atingidas pela opulência dessa civilização.

O período áureo do império assírio ocorreu durante o século VII a.C., tempo em que observamos os reinados de Sargão II, Senaqueribe e Assurbanipal. Para controlar as populações subjugadas, esses reis contavam com o serviço prestado por sacerdotes e guerreiros que se encarregavam da função de cobrar impostos e exigir uma série de trabalhos compulsórios. No reino de Assurbanipal temos uma intensa produção intelectual, marcada pela construção da biblioteca de Nínive.

Após esse período de governos bem sucedidos, os assírios não suportaram as investidas militares dos caldeus e medos. Por volta do ano de 612 a.C., a capital Nínive foi inteiramente destruída, o que marcou o fim da dominação assíria e a formação do Segundo Império Babilônico.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola